Grupos de matriz africana pedem o fim de igrejas em presídios

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Representantes participam de audiência pública contra intolerância religiosa com o deputado Marcelo Freixo, nesta quinta-feira, na Alerj

05/10/2017 10:17:55 - ATUALIZADA ÀS 05/10/2017 10:30:32

GABRIELA MATTOS


Rio - Após os recentes ataques a terreiros no estado, grupos de matriz africana participam de uma audiência pública, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na manhã desta quinta-feira. Na sessão com o presidente da Comissão de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania, deputado Marcelo Freixo (Psol), os representantes vão entregar um documento repudiando os casos de intolerância religiosa.

Leia a íntegra do documento



Na carta, os grupos enumeraram dez reivindicações para evitar o surgimento de novos ataques. Uma delas é o fim das igrejas nos presídios, para promover maior liberdade religiosa. No mês passado, o 'Disque Combate ao Preconceito', da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), recebeu denúncias de que traficantes seriam os autores das destruições de terreiros na Baixada Fluminense.

Representantes da matriz africana pedem fim da intolerância religiosaMaíra Coelho / Agência O Dia / Arquivo




"Os 'traficantes evangélicos', os mesmos que vem destruindo templos e aterrorizando afro-religiosos, são arregimentados no cárcere e recebem anotações por 'bom comportamento' por seuas conversões", lembraram os organizadores do documento.


Os representantes pedem ainda que os ministros religiosos que promovem a perseguição aos adeptos das religiões de matriz africana, como umbanda, candomblé, batuque e Tambor de Mina, sejam acionados por crime de ódio e enquadrados na Lei de Segurança Nacional.




Entre os outros pontos citados no documento estão a promoção de políticas públicas e reparação das vítimas expulsas "de seus territórios sagrados e de culto pelos traficantes evangélicos". Para o babalorixá Adailton Moreira, os recentes ataques podem ser considerados como terrorismo e não apenas como intolerância religiosa.


"As lideranças da matriz africana estão se sentindo vulnerabilizadas. Nosso direito de ir e vir foi violado. Somos coagidos nas ruas, nos espaços públicos e no comércio. O fundamentalismo nos aprisiona nos terreiros", explicou o representante, que é sociólogo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).


Moreira reforçou ainda que representantes religiosos e da sociedade civil pedem que a laicidade do estado seja respeitada. "Queremos o combate ao racismo e à intolerância religiosa. É isso que estamos pleiteando", acrescentou. Além de Freixo, integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público do Rio (MP-RJ) também participam da sessão.



fonte: O DIA


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