Israel anuncia medidas mais duras contra “terroristas judeus”

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Medidas de interrogatório e detenção reservadas a palestinianos vão agora aplicar-se também a judeus extremistas. Polícia israelita detém jovem nacionalista judeu ligado ao incêndio de igreja católica.



Homem palestiniano numa das casas atingidas pelo ataque de sexta que matou um bebé de 18 meses ABED OMAR QUSIN / REUTERS




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É a resposta do Governo israelita ao ataque incendiário de colonos judeus em Duma, na Cisjordânia, que matou um bebé palestiniano de 18 meses e deixou o irmão, de quatro anos, e os pais com graves queimaduras. O ministro israelita do Interior anunciou nesta segunda-feira que as técnicas violentas de interrogatório que até agora eram usadas apenas contra suspeitos palestinianos passam a ser “kosher” — ou seja, respeitam as directivas judaicas — também contra suspeitos “terroristas judeus”.

“Um método de interrogatório como o tiltul, ou algo que se faça com terroristas palestinianos, poderá ser feito quando se trata de um terrorista judeu”, disse o ministro Gilad Erdan, referindo-se ao termo em hebreu para a acção de abanar violentamente uma pessoa.

Normalmente, o executivo israelita refere-se aos ataques de colonos judeus na Cisjordânia contra habitantes palestinianos como “crimes de ódio” ou ataques “nacionalistas”. Mas logo depois do ataque incendiário, na sexta-feira, Governo e exército de Jerusalém foram mais severos e usaram o termo “terrorista”.

Palestinianos e colonos judeus na Cisjordânia obedecem a leis diferentes. Os primeiros estão sujeitos à lei militar e os judeus à lei civil — embora a lei internacional diga que quaisquer colonos nesse território são ilegais e uma ocupação. A Reuters escreve que o tiltul foi ilegalizado em 1999 pelo Supremo Tribunal israelita, que, no entanto, deixou uma ressalva que o permite caso haja a necessidade “urgente” de recolher informações de um suspeito que possam impedir “um ataque iminente”.

Para além das técnicas violentas de interrogatório, Israel anunciou domingo que vai passar a deter cidadãos israelitas sem julgamento nos casos de suspeita de ataques contra palestinianos. Algo que também estava reservado apenas a palestinianos.

Judeu extremista detido
A polícia israelita deteve nesta segunda-feira Meir Ettinger, um conhecido jovem nacionalista judeu, neto do também famoso nacionalista Meir Kahane, norte-americano de origem que defendia a expulsão de muçulmanos de Israel e Palestina.

Não há indicações de que Meir Ettinger tenha estado ligado ao incêndio de sexta-feira, mas sim a um outro incêndio, ocorrido em Junho passado na igreja católica de Tabgha, local onde a Bíblia diz ter ocorrido o milagre da multiplicação dos pães e peixes. O edifício ficou severamente danificado e vandalizado. “Os falsos ídolos serão expulsos”, dizia um graffiti nas paredes da igreja queimada.

Segundo declarações do porta-voz da polícia israelita à AFP, Meir Ettinger foi detido “por crimes nacionalistas”. O mesmo responsável recusou-se a comentar, contudo, o envolvimento de Ettinger no incêndio da sexta-feira na Cisjordânia ou em outros ataques da mesma natureza.

De acordo com o diário britânico The Guardian, o Governo israelita recusou o pedido feito pelos serviços de segurança do país, as Shin Beit, em 2014, para que Meir Ettinger fosse detido. O jovem de 24 anos será apresentado nesta terça-feira em tribunal, que decidirá se prolonga a prisão preventiva ou não.

Desde 2014 que Ettinger estava impedido de entrar na Cisjordânia e na sua cidade de origem, Jerusalém. Um dia antes do ataque incendiário em Duma, o judeu nacionalista escreveu num blogue religioso, A Voz Judaica, ligado à direita, que não fazia parte de uma organização terrorista judaica. Mas adiantou no mesmo texto que "há muitos, muitos judeus, mais do que as pessoas pensam", que não agem "conforme as leis vazias do Estado, mas por leis muito mais eternas".

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