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A História do Apóstolo Pedro

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A História do Apóstolo Pedro



O apóstolo Pedro foi um dos primeiros discípulos escolhidos por Jesus. Pedro também é chamado na Bíblia de Cefas, Simeão e Simão. Neste estudo bíblico conheceremos mais sobre a história de Pedro, apóstolo do Senhor Jesus.

A História de Pedro


O apóstolo Pedro era natural de Betsaida, na época uma aldeia de pescadores não muito distante de Cafarnaum e que ficava na região costeira do mar da Galiléia (Jo 1:44). Pedro também tinha casa em Cafarnaum, na Galiléia (Mc 1:21s). Alguns sugerem que sua residência realmente fosse em Cafarnaum, e Betsaida apenas sua aldeia de origem.

O apóstolo Pedro era irmão do apóstolo André, um pescador de profissão assim como ele. É bem provável que seu pai, Jonas, também fosse um pescador (Jo 1:42). O apóstolo Pedro era casado, tendo sido sua sogra curada por Jesus (Mc 1:30). Além disso, é possível que sua esposa frequentemente o acompanhasse em viagens ministeriais na Igreja Primitiva (1Co 9:5).

Pedro possuía uma educação considerada limitada e falava o aramaico com forte sotaque da região da Galileia (Mt 26:73; Mc 14:70), idioma que também utilizava para ler e escrever. No entanto, Pedro também falava um pouco de grego, muito provavelmente por conta de sua profissão que exigia constante contato com gentios, além de ser muito utilizado na época, sobretudo nas cidades de Decápolis.

Pedro, Cefas, Simão e Simeão


Como já foi dito, o apóstolo Pedro é chamado por outros nomes na narrativa bíblica. Possivelmente seu nome original era o hebraico Simeão, utilizado originalmente em alguns textos de Atos 15:14 e 2 Pedro 1:1, e talvez ele tenha adotado o grego “Simão” com pronuncia semelhante.


Quando ele se encontrou com Jesus, o Senhor o chamou de
Cefas, do aramaico Kefa’, que significa “rocha” ou “pedra”, que em sua forma grega é Petros, ou seja, Pedro (Jo 1:42). 
O significado desse título se refere ao fato de que Pedro se tornaria firme como uma rocha, ao invés de uma pessoa com temperamento inconstante.

Assim, a narrativa do Novo Testamento designa o apóstolo Pedro por essa variedade de nomes. O apóstolo Paulo o chamava de Cefas (1Co 1:12; 15:5; Gl 2:9), o apóstolo João geralmente o chamava de Simão Pedro, e Marcos o chamou de Simão até o capítulo 3 de seu livro e depois passou a designá-lo como Pedro.

A personalidade do apóstolo Pedro


Considerando todas as referências sobre o apóstolo Pedro disponíveis não apenas nos quatro Evangelhos, mas em todo Novo Testamento, os estudiosos entendem que ele foi um típico homem do campo, uma pessoa simples, direta e também impulsiva.

Parece que ele também possuía uma aptidão natural para exercer liderança, talvez por ser caloroso, vigoroso e normalmente comunicativo. Em algumas ocasiões, sobretudo no episódio que envolveu a traição de Jesus no Getsêmani, Pedro se mostrou emotivo, sanguíneo e autoconfiante.
A escolha do apóstolo Pedro como discípulo de Jesus

O Evangelho de João relata um primeiro contato entre Jesus e Pedro, por intermédio de seu irmão, o apóstolo André (Jo 1:41), antes do início do ministério público do Senhor na Galiléia. Depois disto, Pedro e André continuaram com a pescaria durante um período de tempo, até que receberam um convite consequente de Jesus enquanto estavam pescando no mar da Galiléia (Mc 1:16s).

Mais tarde Jesus escolheu doze homens entre aqueles que o seguiam para serem seus discípulos mais próximos. Assim, o apóstolo Pedro foi um dos primeiros discípulos a ser chamado, e também era um dos três que sempre estavam mais próximos do Senhor (Mc 5:37; 9:2; 14:33). Nas listas que trazem a relação dos doze discípulos de Jesus, o nome do apóstolo Pedro sempre aparece primeiro (Mc 3:16-19; Lc 6:14-16; Mt 10:2-4; At 1:13,14).
O apóstolo Pedro durante o ministério de Jesus

O apóstolo Pedro teve uma participação muito ativa e significante durante o ministério de Jesus. Como já foi dito, ele foi um dos primeiros discípulos a ser chamado, estava entre os três mais próximos de Jesus, e em muitas ocasiões agiu como porta-voz dos Doze (Mt 15:15; 18:21; Mc 1:36s; 8:29; 9:5; 10:28; 11:21; 14:29; Lc 12:41).

Pedro foi o discípulo que pediu para encontrar Jesus andando sobre as águas (Mt 14:28). Foi ele também, juntamente com Tiago e João, que estiveram com Jesus no episódio da transfiguração (Mt 17:1-8).

O apóstolo Pedro também foi o discípulo que, precipitadamente, tentou repreender Jesus diante do anúncio de sua morte iminente no Calvário (Mt 16:22).

Quando Jesus perguntou aos seus discípulos quem eles achavam que Ele era, o apóstolo Pedro foi o primeiro a responder confessando que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16:16). O próprio Jesus atribui a resposta de Pedro como uma revelação de Deus que foi dada a ele.

Nessa mesma ocasião Jesus pronunciou a famosa frase “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). Essa frase é alvo de intensos debates, deste muito tempo.

Pelo jogo de palavras que envolve o significado do nome “Pedro”, surgiram muitas interpretações, sendo que duas são as mais antigas e conhecidas: alguns sugerem que a “pedra” seria o próprio Pedro, enquanto outros defendem que a “pedra” seria diretamente a verdade que foi declarada por Pedro, isto é, o Cristo, o Filho do Deus vivo.

O apóstolo Pedro ouviu diretamente de Jesus a ordem “apascenta minhas ovelhas” (Jo 21:17). Numa determinada ocasião, Pedro questionou Jesus sobre a situação dele e dos demais que haviam deixado tudo o que tinham para segui-lo, e ouviu do Senhor a promessa das bênçãos do reino de Deus (Mc 10:28; Lc 18:28).

O apóstolo Pedro também aparece de forma bastante ativa durante a narrativa dos últimos momentos do Senhor Jesus antes da crucificação. Juntamente com o apóstolo João, Pedro recebeu a incumbência de organizar a última ceia em Jerusalém (Lc 12:8).

Inicialmente ele também se recusou a deixar que Jesus lhe lavasse os pés, mas quando foi advertido sobre a importância e a necessidade daquele ato do Senhor, ele pediu até mesmo um banho (Jo 13).

O apóstolo Pedro também foi o discípulo que, conforme Jesus havia dito, o negou três vezes antes que o galo cantasse duas vezes, na ocasião que envolve a prisão e crucificação do Senhor. Na verdade essa sua negação contrasta diretamente com o comportamento valente e violento que ele demonstrou ao cortar a orelha de Malco, servo do sumo sacerdote, durante a prisão do Senhor. Diante do olhar de Jesus, ao lembrar-se das palavras do Mestre, Pedro se arrependeu profundamente (Mt 26:34-75; Mc 14:30-72; Lc 22:34-62; Jo 18:27).

É possível que o apóstolo Pedro tenha testemunhado a crucificação, apesar dos Evangelhos não o mencionarem (cf. 1 Pe 5:1). Cristo ressurreto apareceu pessoalmente ao apóstolo Pedro (Lc 24:33,34; 1Co 15:5).
O ministério do apóstolo Pedro na Igreja Primitiva

O apóstolo Pedro foi o primeiro a pregar o Evangelho no dia de Pentecostes, e cerca de 3 mil pessoas se converteram na ocasião (At 2:14). Até o capítulo 13 do livro de Atos dos Apóstolos, Pedro aparece com bastante destaque. Durante os primeiros anos ele foi o líder da igreja em Jerusalém, mas vale lembrar que o apóstolo Tiago, por sua vez, foi quem liderou o Concílio de Jerusalém onde importantes decisões foram tomadas concernentes à participação dos gentios na Igreja (At 15:1-21).

Pedro foi quem fez a exposição da necessidade da escolha de outro homem para o lugar deixado por Judas, onde na ocasião Matias foi o escolhido (At 1). Durante o ministério do apóstolo Pedro ocorreram grandes milagres, sendo que até mesmo os doentes eram colocados de uma forma com que, ao passar, sua sombra os cobrissem (At 3:1-10; 5:12-16).

Foi o apóstolo Pedro quem disse as conhecidas palavras: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” (At 3:6). Dentre esses milagres também se destaca a ressurreição de Dorcas (At 9:36-41). Saiba mais sobre os milagres no período apostólico da Igreja Primitiva.

O apóstolo Pedro também foi quem disciplinou os perversos e mentirosos Ananias e Safira (At 5:1-11). Por conta do pecado que praticaram, ambos foram mortos de forma sobrenatural.

Na época da forte perseguição em Jerusalém após a morte de Estêvão, o apóstolo Pedro também estendeu sua atuação ministerial a outros lugares, como em Samaria em decorrência da grande evangelização de Filipe ali, nas cidades costeiras de Lidia, Jope e Sarona. É possível que nesse período Tiago então tenha assumido a liderança em Jerusalém.

O apóstolo Pedro também foi o responsável por anunciar as boas novas à família de Cornélio em Cesaréia (At 10:1-45). Na Carta aos Gálatas, o apóstolo Paulo nos informa que Pedro também esteve em Antioquia (Gl 2:11). Na verdade é nesse relato onde encontramos a referência sobre o conflito entre os apóstolos Paulo e Pedro, quando Pedro agiu dissimuladamente se associando aos cristãos gentios e depois se afastando deles ao temer a pressão do “grupo da circuncisão” que aceitava os gentios na Igreja desde que estes se submetessem ao cerimonial da Lei de Moisés.

O comportamento do apóstolo Pedro acabou influenciando até mesmo Barnabé. Então Paulo o repreendeu publicamente pelo comportamento, considerado por ele, como hipocrisia. No entanto, essa situação foi completamente resolvida, e o próprio apóstolo Pedro mais tarde se referiu a Paulo como “nosso amado irmão” (2Pe 3:15).

Na Epístola aos Coríntios, também somos informados da divisão que havia em tal igreja, sendo que um dos grupos divididos alegava seguir o apóstolo Pedro, enquanto outros diziam ser de Paulo, Apolo e Cristo. Isso indica que provavelmente em algum momento ele esteve pessoalmente ali visitando aquela igreja.
A morte do apóstolo Pedro e o final de seu ministério

Após 50 d.C. não temos tantas informações detalhadas sobre o apóstolo Pedro. Considerando suas duas epístolas, sabemos que ele permaneceu ativo na pregação da Palavra de Deus e no pastoreio do rebanho do Senhor (1Pe 5:1,2) até a hora de sua morte.

Existe um grande debate se o apóstolo Pedro chegou a fixar residência em Roma ou não. O que é certo é que a igreja em Roma não foi fundada por ele, até porque seria muito improvável que Paulo escrevesse uma epístola àqueles irmãos sem mencioná-lo.

Na verdade não há qualquer base bíblica de que ele tenha sido o primeiro bispo de Roma, nem mesmo que tenha sido líder da igreja na cidade por um período de tempo considerável, e a tradição que afirma tal coisa é bastante questionável. Saiba mais sobre a igreja em Roma no panorama da Carta aos Romanos.

Apesar disto, é muito provável que ele tenha estado em Roma em algum momento próximo ao final de sua vida, e que tenha escrito suas duas epístolas desta cidade. Em 1 Pedro 5:13 o apóstolo escreve dizendo estar na “Babilônia”, e essa informação têm sido entendida pela maioria dos estudiosos como uma referência a cidade de Roma. A presença de Marcos na ocasião também favorece essa interpretação.

Existe uma tradição muito antiga e uniforme dentro do cristianismo de que o apóstolo Pedro tenha sido martirizado em Roma por volta de 68 d.C., tal como foi Paulo. Tertualiano (200 d.C.) defendeu tal informação, e Orígenes afirmou que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, uma informação também presente em alguns livros apócrifos.
O Trono De Satanás (apocalipse 2: 2-16)

O Trono De Satanás (apocalipse 2: 2-16)

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O Trono De Satanás (apocalipse 2: 2-16)

12. “E ao anjo da igreja em Pérgamo escreva o seguinte: ‘Esta é a mensagem daquele que tem a espada afiada de dois gumes. 13. “‘Eu sei que vocês moram aí onde está o trono de Satanás.

Pérgamo era uma cidade que se orgulhava dos vários templos dedicados ao culto Imperial Romano. No período Romano, a cidade de Pérgamo, uma antiga capital administrativa da Ásia Menor que mais tarde foi mudada para Éfeso, tornou-se um navio de bandeira para o patriotismo Romano expressado em devoção religiosa. Como a maioria das cidades Gregas, Pérgamo ostentava um teatro, estádio, biblioteca e um centro de cura de Esculápio entre os edifícios que faziam parte do cotidiano do mundo Greco-Romano.
O centro de cura (Asclepion) em Pérgamo, considerado a sede, fazia parte de uma grande rede de centros de cura em todo o Império Romano. Por muitos anos Galeno, o médico mais conhecido no Império Romano e médico pessoal do Imperador Marco Aurelio, trabalhou neste Asclepion. A biblioteca de Pérgamo era considerada a segunda perdendo apenas para a mundialmente famosa biblioteca em Alexandria. De acordo com Plutarco a biblioteca de Pérgamo vangloriava-se de possuir mais de 200.000 volumes. Outro relato afirma que Marco Antonio, um comandante militar Romano, legou a coleção a Cleópatra, como um reembolso pela destruição total da biblioteca de Alexandria por Julio Cesar.
Além de templos aos imperadores e até mesmo a deusa Roma, a cidade teve a alta honra de hospedar e manter um templo a Zeus – Pai de todos os deuses e dos homens e o governante dos Olimpianos no Monte Olímpia de acordo com as crenças dos Gregos antigos. Zeus estava intimamente associado com a deidade Romana Júpiter, cujo nome significa o céu, ou literalmente o deus “pai celestial”. O altar a Zeus foi uma das mais impressionantes estruturas em Pérgamo. As escadas do altar, colunas e laterais esculpidas tinham 40 pés (12 metros) de altura. Hoje, apenas as escadas  ao redor da base do altar podem ser vistas no Museu de Pérgamo em Berlim. Os lados do altar eram ornamentados com painéis de mármore representando uma batalha mítica entre deuses Gregos e gigantes rebeldes que eram os filhos da Mãe Terra.
Muitos têm sugerido que este altar a Zeus é o que se entende pelo trono de Satanás no versiculo 13. Mas existem várias  outras possibilidades – tais como a sede de culto a Esculápio ou uma concentração do culto Imperial e Romano naquela cidade. Como mencionado anteriormente, na Roma antiga, a imagem de uma espada e especialmente uma espada de dois gumes era altamente simbólica. Assim, pode ser dito que esta cidade verdadeiramente  sediou o trono de Satanás, o símbolo da autoridade Imperial Romana e governante. Cristo apresentou-se a igreja dos seguidores do Deus de Israel em Cristo como “aquele que tem a espada afiada de dois gumes”. Se a identificação acima do trono de Satanás com o culto imperial Romano for correta então  faria  perfeito sentido para Cristo aqui para ser apresentado como alguém com a autoridade da espada de dois gumes.
Vocês são fiéis e não negaram a fé que tem em mim mesmo nos dias de Antipas minha testemunha fiel, que foi morta entre vós, onde Satanás habita.
Não se sabe muito sobre a pessoa de Antipas nesta passagem. A tradição Cristã posterior diz que ele foi ordenado como bispo de Pérgamo pelo Apóstolo João, assim como foi Policarpo na cidade de Esmirna. A tradição também diz que ele foi cozido vivo em um caldeirão de bronze que se assemelhava a um touro. Este relato do primeiro século vem de relatos  muito mais antigos da martirologia Cristã de confiabilidade questionável. O que se pode assumir com segurança é que até o final do primeiro século, quando a carta do Apocalipse estava sendo escrita, o martírio de Antipas já tinha ocorrido. Ele ainda estava fresco na memória dos seguidores de Cristo de Pérgamo. Sem dúvida, Antipas encontrou o seu destino, abraçando a morte porque ele não estava disposto a honrar e sacrificar aos deuses pagãos. Somente um Deus pode ser venerado e adorado.
14 Mas tenho algumas coisas contra vocês: há entre vocês  alguns  que seguem o ensinamento de Balaão, que mostrou a Balaque como fazer com que o povo de Israel pecasse, dizendo que os Israelitas deviam comer alimentos oferecidos aos ídolos e cometer imoralidade sexual. 15 Assim também estão entre vocês alguns  que seguem o ensino dos Nicolaítas. 16 Portanto, arrependam-se. Se não, eu logo irei até aí e,  com a espada que sai da minha boca, lutarei contra essa gente.
Na seção sobre a congregação na cidade de Éfeso, discutimos as maldades e os ensinamentos dos Nicolaítas. A explicação mais provável é que os Nicolaítas eram seguidores do movimento, apelidado de Nokhal entre os primeiros seguidores de Cristo. Nokhal em Hebraico significa ” Iremos comer,” neste caso, referindo-se a carne que era sacrificada aos deuses Greco-Romanos.
Os Nicolaítas do versículo 15 estão ligados com os maus  Balaão e Balaque. Sua estratégia para minar a Israel foi a mesma. Eles queriam que os Israelitas adorassem a Baal Peor. A atração principal eram as orgias sexuais que acompanhavam tal culto. Lemos em Nm. 25: 1-5:
“Enquanto Israel permaneceu no vale das Acácias, os homens  começaram a ter relações com as mulheres Moabitas. 2 Elas convidavam o povo para as festas em que eram feitos  sacrifícios aos seus deuses. E os Israelitas tomavam parte nos seus banquetes e adoravam os seus deuses. 3 Assim  os Israelitas se reuniram para adorar o deus  Baal-Peor, e por isso o Senhor Deus  irou-se contra Israel 4 e disse a Moisés:  ‘Reúna  os líderes do povo de Israel e os enforque diante de mim em plena luz do dia. Assim, a minha ira contra o povo de Israel  acabará. 5 Então Moisés disse aos chefes: ‘ cada um de vocês mate os  homens da sua tribo que foram adorar o deus Baal-Peor”.
Cristo chamou ao arrependimento a igreja em Pérgamo que tolerava em sua mistura aqueles que professavam tanto a Cristo como comiam a carne sacrificada aos deuses Romanos. Cristo o Rei os ameaçou com a breve aproximação de seu julgamento, chamando-os para finalmente fazer uma escolha entre o Deus de Israel e os deuses do Império Romano.
Eleição: Escolhidos em Cristo

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Eleição: Escolhidos em Cristo

Eleição: Escolhidos em Cristo

Texto básico: Efésios 1.1-14
Leitura diária
D – Ef 2.1-10 Pela graça mediante a fé
S – 2Tm 1.8-9 Deus determinou
T – Rm 8.28-30 Segundo seus propósitos
Q – Rm 9.6-13 A eleição
Q – Rm 9.19-29 De modo soberano
S – Jo 6.41-46 Conduzido a Cristo
S – At 13.44-52 Os que são eleitos

Introdução

A doutrina bíblica da eleição sempre foi muito rejeitada em certos grupos evangélicos. Um dos grandes motivos para essa rejeição é o alegado fato de que ela mina o estímulo cristão para a santificação. Outros motivos têm surgido em todas as épocas e lugares, mas todos eles são ocasionados por um entendimento inadequado dessa doutrina. Trataremos do ensino transmitido por Paulo aos crentes de Éfeso sobre esse assunto, na esperança de que esse estudo seja proveitoso para nossa edificação em Cristo.

I. O fundamento da eleição (1.3-4)

O fundamento da igreja, da salvação e da própria eleição é Cristo. Veja a afirmação de Paulo nos versículos 3 e 4: “O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo… nos escolheu nele”. Para fazer com que a conexão entre a escolha (eleição) feita por Deus de Cristo como fundamento da eleição fique mais clara, poderíamos traduzir essa frase da seguinte forma: “Deus, o Pai, nos abençoou com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nele nos escolheu antes da fundação do mundo”, ou seja, Deus nos escolheu em Cristo desde a eternidade e, em um dado momento no tempo, nos abençoou em Cristo, dando-nos a salvação e todas as bênçãos espirituais dela decorrentes.
Ao afirmar que Cristo é o fundamento da eleição, o apóstolo Paulo automaticamente descarta toda e qualquer participação humana na salvação. Até mesmo o exercício da fé, mediante a qual nos apropriamos da salvação oferecida por Deus em Cristo, é um fruto da graça. É o próprio Deus quem nos capacita a crer para que possamos nos apropriar da salvação que foi plenamente realizada por Cristo em nosso lugar e em nosso favor na cruz do calvário. A salvação, diz Paulo, assim como a eleição, é fruto da graça: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9. Veja também Ef 1.6). A eleição é fruto da graça de Deus, não o resultado de uma previsão feita por Deus de que este ou aquele pecador teria fé. Ele não apenas “previu” que um determinado pecador teria fé em Cristo, mas determinou dar a fé a um determinado pecador para que ele cresse em Cristo e fosse salvo. A eleição feita por Deus não é uma simples previsão, mas uma escolha. Até mesmo a fé é decorrente da graça (Ef 2.8), pois é uma das bênçãos espirituais que o pecador recebe de Deus em virtude de sua eleição (Ef 1.3). Isso significa que a eleição é incondicional e em nada depende das obras humanas, como podemos ver em várias passagens das Escrituras (Rm 3.28; Gl 2.16; 3.11; Ef 2.8-9). Esta foi a grande descoberta de Lutero e é a grande bandeira das igrejas reformadas. O fundamento da eleição é o livre, soberano e misterioso decreto de Deus mediante o qual ele, em sua livre soberania, decidiu, movido tão somente pela sua própria graça, dentre todos os pecadores, que estavam igualmente mortos em seus delitos e pecados, escolher alguns para que fossem salvos por Jesus Cristo. Essa escolha, como já vimos, não se baseia em qualquer mérito humano, pois pecadores espiritualmente mortos não podem convencer Deus a ser-lhes favorável. Esse é o ensino de Paulo em Romanos 4.4-6: “Ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça [e a atribuição da fé é uma obra da graça de Deus, e não um ato meritório do pecador]. E é assim que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras”.
O cristão deve louvar a Deus por ter sido escolhido em Cristo (Ef 1.4), pois se a sua eleição dependesse de si mesmo ele nunca creria, porque o homem natural está espiritualmente morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1-2) e uma pessoa nessa situação jamais terá qualquer mérito diante daquele que é a Santidade Absoluta, Perfeita e Eterna. Não há dúvida de que, entregue a si mesmo, o pecador jamais se decidiria por Cristo, pois o homem natural é livre apenas para, seguindo o curso deste mundo, fazer a vontade de Satanás, que é o senhor e mestre de todos aqueles que estão espiritualmente mortos. Esse é o ensino de Jesus em João 5.39-40: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida” (Leia também 8.34; 43-47; 10.25-29).
Chamo agora sua atenção para uma implicação muito importante com relação à eleição. Paulo diz que os cristãos foram escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo. A expressão “antes da fundação do mundo” aponta para a eternidade. Além disso, o próprio fundamento da eleição, que é Cristo, é eterno. Isso significa que a eleição tem fundamento eterno e, portanto, validade eterna. Aquele que nos escolheu espontânea e graciosamente não nos lançará novamente nas trevas. Aquele que começou a boa obra em nós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus (Fp 1.6; Jo 6.39; 10.28; 2Tm 1.12). Tanto o começo da ação da graça quanto a sua plenitude são obras de Deus, fundamentadas no eterno Filho de Deus.

II. O objeto da eleição

Agora que já sabemos qual é o fundamento da eleição, cabe-nos falar sobre o objeto ou o alcance da eleição. Paulo diz aos Efésios que o objeto da eleição somos nós (Ef 1.4). O pronome “nós” deve ser entendido à luz de seu contexto. Paulo está escrevendo aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus (Ef 1.1). Pouco depois ele diz que Deus nos tem abençoado e nos escolheu (Ef 1.3,4). Como podemos observar, Paulo está falando que ele mesmo e os santos e fiéis são abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais e foram escolhidos em Cristo. Esse é o sentido da passagem.
Este ensino de Paulo sobre o alcance da eleição levanta algumas questões, mas a principal delas é a seguinte: Cristo morreu por todas as pessoas sem exceção ou somente por aqueles que ele escolheu? Em outras palavras: O sacrifício de Cristo na cruz do calvário apenas tornou possível a salvação para todos os homens ou certamente garantiu a salvação para todos aqueles que o Pai lhe deu (Mt 1.21; Jo 6.44; 10.26-29; 15.16; 17.9)? Repare que a grande questão a ser respondida aqui não é se Jesus teve poder para salvar todos os pecadores sem distinção, mas se ele quis fazer isso. A Escritura nos ensina que Cristo é o Senhor da glória (1Co 2.8), o Autor da Vida (At 3.15). Jesus Cristo é o próprio Deus, por isso podemos afirmar que ele teria poder suficiente para salvar toda a raça humana se esse fosse o seu plano. O que Paulo ensina é que a eleição é limitada pela vontade de Deus, que não quis salvar toda a raça humana, mas apenas uma parte dela.
Veja o testemunho claro da Escritura sobre esse assunto: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?” (Rm 8.31-33). “Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.27). “Vós [os eleitos que são forasteiros da Dispersão – 1Pe 1.1], porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). Em todas essas passagens podemos observar claramente que Cristo não morreu para salvar todos os pecadores sem exceção, mas um certo grupo dentre eles.
Johnatan Edwards, em seu livro The Death of Death in the Death of Christ [A morte da morte na morte de Cristo] propõe o seguinte argumento para explicar o alcance da eleição.
Com relação à salvação, apenas uma dessas alternativas pode ser a correta:
  1. Cristo morreu por todos os pecados de todos os pecadores;
  2. Cristo morreu por alguns pecados de todos os pecadores;
  3. Cristo morreu por todos os pecados de um grupo de pecadores;
  4. Cristo morreu por alguns pecados de um grupo de pecadores.
Observe que as opções “b” e “d” não podem ser verdadeiras, pois nesse caso, se Cristo tivesse morrido apenas por alguns pecados, haveria pecados que estariam fora do alcance de seu perdão e, por isso, não haveria salvação, e a Bíblia diz que há. Ficamos, portanto, com as opções “a” e “c”. Se admitirmos que Cristo morreu por todos os pecados de todos os pecadores, teremos que descobrir o motivo pelo qual muitos deles vão para o inferno (esse é um fato inegável, também abundantemente mostrado na Escritura). A resposta óbvia é: Por causa da sua incredulidade, que os impede de se apropriarem da obra de Cristo pela fé. Ora, mas a incredulidade não é um pecado? Então ela está incluída em todos os pecados que foram perdoados por Cristo e o pecador tem que ir para o céu mesmo sem crer em Jesus, o que é um absurdo. Se a incredulidade não é um pecado, então porque tanta gente vai para o inferno por causa dela? Esse raciocínio nos conduz à única opção viável, que é a letra “c”.
Esse é o ensino bíblico a respeito do alcance da eleição, conforme ensinado por Paulo em Efésios 1.4. Mas qual será o propósito de Deus em agir dessa forma?

III. O propósito da eleição

Deus, com toda a sua infinita sabedoria e poder, tem um propósito definido tanto na criação quanto na redenção do pecador. Esse propósito é mencionado várias vezes na Escritura (2Tm 1.9; Sl 33.11; Is 37.26; 46.9-10; Mt 25.34; Is 14.24). À luz dessas passagens, fica claro que Deus tem um propósito, um plano. Mas qual será o propósito de Deus na eleição do pecador?
O propósito da eleição é revelar a glória de Deus. Não existe propósito maior e mais sublime do que glorificar a Deus. Foi para isso que fomos criados e foi para isso que todo o universo foi criado. Deus, querendo revelar sua própria glória, determinou criar o mundo e permitir a queda do homem, que foi criado sem pecado, mas com liberdade absoluta. Ao usar sua liberdade para rebelar-se contra Deus, automaticamente o homem perdeu toda a liberdade que possuía, tornando-se um escravo do pecado (Jo 8.35; Rm 6.6,17,20; Tt 3.3; 2Pe 2.19) e filho de Satanás (Gn 3.15; Jo 8.44; At 13.10; 1Jo 3.10), tornando-se merecedor da punição reservada por Deus (Mt 25.41). O primeiro pecador gerou toda uma raça que herdou sua natureza corrompida, como nos informa o relato de Gênesis 5.3: “Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete”.
Dentre todos os pecadores, igualmente merecedores do inferno, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus… todos pecaram e o salário do pecado é a morte (Rm 3.23; 6.23) e espiritualmente mortos em seus delitos e pecados (Ef 2.1-2), o Senhor escolheu, baseado em sua livre e soberana Graça (Ef 2.8-9), um grupo de pessoas para que tivesse sua comunhão restaurada com seu Criador, comunhão essa que tinha sido perdida por ocasião da Queda. Essa perda da comunhão do homem com Deus pode ser vista quando Deus vai em busca do homem e o homem se esconde (Gn 3.8). Não pense que por escolher uma pessoa e não escolher outra Deus seja injusto, pois “quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Porque me fizeste assim? Ou não tem o oleiro tem direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?” (Rm 9.20-21).
O pecador não é visto por Deus como o habitante de uma cidade, que tem os mesmos direitos de seus concidadãos, mas como um réu culpado e condenado, portanto, sem qualquer direito à liberdade, que aguarda o momento da execução da pena. O condenado vai para o inferno, mas não por culpa de Deus, que Deus não quis alcançá-lo pela graça. Isso seria equivalente a dizer que um réu vai para a cadeia porque o juiz não quis absolvê-lo. O pecador condenado vai para o inferno por causa de seu próprio pecado. Ao condenar o pecador ao inferno o Senhor não age com injustiça. Pelo contrário, executa sua justiça de forma plena, dando ao pecador rigorosamente o que ele merece. O eleito, por sua vez, vai para o céu por causa do propósito de Deus em alcança-lo pela graça. Nesse caso, a justiça também é feita, pois Cristo pagou o preço para que os escolhidos de Deus fossem salvos. A justiça de Cristo é imputada aos eleitos, fazendo-os justos aos olhos de Deus.
Como já vimos, o plano de Deus é restaurar a comunhão do homem consigo. Esse plano terá sua consumação no grande dia do Senhor, quando o redimido, com o corpo e a alma livres de qualquer pecado e corrupção, terá plena comunhão com seu Criador. Contudo, mesmo antes de alcançar essa plenitude da comunhão com Deus, o redimido tem comunhão com Deus em Cristo (2Tm 2.5) e deve zelar pelo desenvolvimento de sua santificação, que é a forma de que agora dispomos para manifestar esta comunhão. Sendo assim, podemos dizer que o propósito de Deus na eleição é a santificação de seu povo, que, quando for plena, ocasionará uma comunhão perfeita entre Criador e criatura. É essa faceta do propósito de Deus que encontramos nas palavras de Paulo: “…nos escolheu… para que fôssemos santos e irrepreensíveis”. Essa é a meta que o Senhor coloca diante daqueles em cujos corações ele já começou a operar seu plano de eterna eleição. Essa meta começa a ser alcançada no exato momento em que o Espírito aplica a obra de salvação no coração do pecador, chegando à sua total realização no grande dia do Senhor (Ap 21.27). Na presente vida, essa é a vontade de Deus: a nossa santificação (1Ts 4.3). Falaremos mais detidamente sobre isso na lição 12.

Conclusão

A eleição, em vez de minar nosso estímulo para crescermos em santificação, é na verdade a sua maior alavanca. Não existe estímulo maior para o cristão desenvolver sua santificação do que o fato de ter sido escolhido por Deus para desfrutar de uma comunhão plena e eterna com ele mediante a obra de Cristo. O pecador não possui mérito para apresentar-se diante de Deus e requerer sua salvação, mas o Senhor, graciosamente, providenciou uma forma segura pela qual alcança todos aqueles com os quais deseja manter uma comunhão perfeita e eterna em seu Reino: a eleição em Cristo.

Aplicação

Você percebeu a grandeza do amor e da graça de Deus, que nos amou e entregou seu próprio Filho por nós sem que tivéssemos nenhum mérito que o levasse a isso? A grandeza desse amor gracioso de Deus deve nos levar a uma postura de gratidão sincera e de louvor exultante ao nosso Criador e Salvador. Como você tem demonstrado sua gratidão a Deus em sua vida diária? Como você o tem louvado por sua salvação? Sua vida de santidade e obediência tem alguma coisa a ver com isso?
>> Autor: Vagner Barbosa
>> Estudo publicado originalmente pela  Editora Cultura Cristã. Usado com permissão.
Primícias – Os primeiros sinais da nova vida

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Primícias – Os primeiros sinais da nova vida

Texto Básico: Levítico 23.9-14
Leitura Diária
D Lv 23.9-14 – A festa das primícias
S Dt 26.1-15 – Primícias e misericórdia
T Pv 3.1-10 – Primícias da renda para o Senhor
Q 1Co 15.20-28 – Primícias da sepultura
Q Ap 21.1-27 – Primícias de um novo mundo
S Gl 5.16-26 – Os cristãos como primícias
S Rm 16.3-16 – Primícias de nosso testemunho

Introdução

Nas festas de aniversário daqueles que são crentes em Cristo Jesus é muito comum, em dado momento da comemoração, muitas vezes antes de se cantar “Parabéns pra você”, o responsável pela festa solicitar que alguém ore agradecendo a Deus pelo aniversariante. Isto demonstra que, para o crente em Cristo Jesus, até mesmo uma simples comemoração se transforma em uma oportunidade para agradecer a Deus pelas bênçãos recebidas.
Deus requer gratidão de seu povo. No Antigo Testamento, por ordem de Deus, toda festividade não era uma celebração comum e sim ocasião para agradecer a Deus e aprender dele. Esse princípio deve marcar nossa vida.

I. A festa das primícias: sua prescrição

Em Levítico 23.9-14, Deus apresenta a prescrição para a realização da Festa das Primícias. Dois dias depois da Páscoa e um dia depois da Festa dos Pães Asmos, no décimo sexto dia de Nisã, os israelitas comemorariam o dia das primícias. Essa era a terceira festa da primavera e, como as outras duas, era uma representação da redenção. Na Páscoa, comemorava-se o livramento, na Festa dos Pães Asmos, ressaltava-se o rompimento com o passado e, na Festa das Primícias, festejava-se a nova vida.
Conforme as prescrições divinas, essa festa deveria ser celebrada na nova terra, em Canaã. No deserto, o povo não necessitava nem tinha condições de plantar. Mas, na nova terra recebida por herança, o cultivo da terra ocorreria. Por meio dessa ocupação, o povo obteria as provisões para o sustento. No entanto, não menos do que no deserto, Deus continuaria a demonstrar sua graça providencial. Por isso, no início das colheitas, o povo deveria festejar, agradecendo ao Senhor pelo cuidado providencial.
No início, a Festa das Primícias era uma comemoração simples. No sétimo mês do calendário agrícola, na primavera, quando as plantações demonstravam os primeiros sinais de amadurecimento, o agricultor israelita ceifava o primeiro feixe de cereal maduro de sua colheita e o levava ao sacerdote. O sacerdote, por sua vez, movia-o diante do Senhor, no dia depois do sábado, em sinal de gratidão e louvor pela dádiva bondosa de Deus. Essa oferta movida era acompanhada de outro holocausto de um cordeiro de um ano, sem defeito, bem como de uma oferta de manjares, constituída de 4,5 litros de flor de farinha misturados com azeite e uma oferta de libação de um litro de vinho.
Deuteronômio 26.11 descreve o que acontecia em seguida. Em termos simples, Israel festejava. O povo, os levitas e até mesmo os estrangeiros em seu meio alegravam-se “por todo bem” que Deus havia concedido. Comiam até se fartar e celebravam com o coração repleto de alegria e gratidão.

II. Sinais de esperança

A Festa das Primícias não era apenas uma celebração de ação de graças. Apesar de Israel ser, de fato, agradecido pelas safras abundantes que haviam crescido nos campos ao longo dos meses, a Festa das Primícias possuía um sentido espiritual. Israel apresentava feixes de cereais novos, uma oferta que trazia em seu cerne sinais de esperança de uma nova vida.
Esse modo de abordar a festa da colheita com o olhar voltado para o futuro exigia fé, um modo de encarar a vida que precisava não apenas dos olhos, mas também do coração para enxergar. Contrastava nitidamente com as superstições repletas de medo que caracterizavam as nações vizinhas. Em Canaã, os adoradores de Baal realizavam negociações angustiantes com seus deuses e, na tentativa de persuadi-los, cortavam-se até sangrar (como fizeram os sacerdotes de Baal no monte Carmelo) ou queimavam os filhos em sacrifícios para garantir prosperidade (como no hediondo culto a Moloque). A cada ano, o sucesso religioso era medido pelo número de sacas de cereal por alqueire e o insucesso, pelo número de mortes por família.
Israel não precisava negociar com Deus para garantir que ele cuidaria de suas necessidades diárias e anuais; ele havia prometido fazê-lo como demonstração de amor. A cada dia, os israelitas reconheciam agradecidos a provisão generosa, davam graças ao Senhor e desfrutavam a vida em comunhão com ele. E, no entanto, mesmo na terra de leite e mel, nem tudo corria bem, como ficava evidente para os de coração mais sensível. Muitos haviam se tornado escravos e se encontravam empobrecidos pelas circunstâncias da vida. O estrangeiro, o órfão e a viúva que viviam em Israel eram não apenas pobres, mas também indefesos e vulneráveis ao abuso dos inescrupulosos. Deus já havia dito que se levantaria para defendê-los (Dt 10.17-18) e esperava que seu povo fizesse o mesmo.
O Senhor, a fim de tornar visível essa prescrição de misericórdia, estabeleceu na vida comunitária de Israel várias práticas que refletiam o tema da Festa das Primícias. A lei acerca da respiga (Dt 24.19-21), prescrevia que os proprietários de terra deixassem de ceifar os cantos dos campos para manter os pobres e necessitados. Deuteronômio 26 associa as Primícias a outra expressão do mesmo espírito de misericórdia, o dízimo. Um décimo de toda a fartura com a qual Deus havia abençoado Israel devia ser entregue ao sacerdote no templo.
Quer as Primícias fossem uma forma de dízimo ou o dízimo e as respigas fossem formas da celebração das Primícias, fica evidente que os três constituíam manifestações do mesmo coração repleto de fé. O gesto de devolver uma porção a Deus visava dar forma ao desejo de Israel de ter misericórdia e justiça. Os três eram dádivas jubilosas que expressavam o vislumbre da fé, ofertas que revelavam o anseio da alma por uma nova existência, na qual o amor por Deus e por outros substituiria o egoísmo como modo de vida.
Com o passar do tempo, contudo, o povo se esqueceu da prescrição de misericórdia e as ofertas que Deus havia instruído Israel a apresentar perderam o sentido, passando a ser uma prática mecânica. O profeta Malaquias denunciou essa atitude pecaminosa, que não só afetava o culto no templo com a falta de recursos, mas também resultava em injustiça social, ou seja, órfão, viúvas e estrangeiros eram negligenciados (Ml 3.5, 8-10). Jesus condenou a atitude dos fariseus de seu tempo que eram legalistas na prática dos dízimos, mas negligenciavam a justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23.23).
Infelizmente, o espírito de misericórdia que olhava para o futuro, o caráter representativo do dízimo, também se perdeu em diversas igrejas de hoje. Não são poucas as vezes que ouvimos acerca da contribuição por meio dos dízimos e ofertas como sendo uma forma de barganhar com Deus. Muitos pensam que contribuindo terão em troca bênçãos materiais em dobro. O “evangelho da prosperidade”, pregado em muitos púlpitos, tem desvirtuado o significado espiritual do dízimo. A motivação para a contribuição deixou de ser o reconhecimento agradecido das bênçãos recebidas do Senhor e a prática da misericórdia. Muitos contribuem no afã de poder alcançar melhores condições materiais. Esse tipo de contribuição é pecaminosa, pois é motivada pela devoção às riquezas, e não a Deus.

III. Primícias e redenção

A igreja é composta por pecadores. A Festa das Primícias era um protótipo, um modelo da redenção mais plena que viria com Cristo. O Senhor Jesus foi oferecido como Cordeiro pascal e sepultado na véspera da Festa dos Pães Asmos. A data da ressurreição de Jesus ocorreu em uma das festas judaicas e isso não foi acidental. Deus planejou tudo de modo que Jesus não apenas permanecesse na sepultura até o terceiro dia (Mt 12.39-41), mas especialmente irrompesse do túmulo na Festa das Primícias.
A festa define, portanto, o significado da ressurreição: não foi apenas o milagre da vida depois da morte, mas também o início de um novo mundo depois da morte do antigo.

1. Primícias da sepultura

Em primeiro lugar, sua ressurreição foi as primícias da sepultura física: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados […] Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (1Co 15.17-20).
Trata-se de uma notícia maravilhosa para todos nós que vivemos na fragilidade da carne humana. Há muito, a morte marca nossa vida e nosso mundo e, um dia, todos nós teremos de encarar o fim de nossa existência física. A morte causa dor e separação, mas ela não põe fim a nossa esperança, pois Cristo venceu a morte. Por isso, as Escrituras declaram: “Tragada foi a morte pela vitória” (1Co 15.54).
A ressurreição de Cristo foi as primícias da ressurreição do corpo. Moveu os primeiros feixes de uma nova vida e abriu um caminho além da morte para aqueles que morrem no Senhor. Uma colheita ainda mais abundante virá quando as sepulturas forem abertas e os mortos ressuscitados. A igreja, ao longo das eras, confessa seu anseio em uma das frases do Credo Apostólico: “Creio na ressurreição do corpo”.
Não há verdade mais confortadora do que esta para aquele que crê em Cristo Jesus. Não é à toa que os crentes em Cristo, mesmo diante da morte, conseguem louvar a Deus. A certeza da ressurreição futura, inaugurada por Cristo Jesus, produz conforto e satisfação.

2. Primícias de um novo mundo

A ressurreição de Jesus deu início a algo maior do que a vida depois da morte física. De acordo com 1Coríntios 15.45, Jesus foi “o último Adão”. Sua cruz marcou a morte do mundo do primeiro Adão, sujeito ao poder da morte, desde a queda em pecado. Constituiu, portanto, o início de um novo mundo, um novo céu e nova terra. A obra de Cristo não traz somente esperança de redenção para o seu povo, mas também para todo o cosmos. Toda criação de Deus está sujeita a morte por causa do pecado e aguarda o dia da sua redenção: “A própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.18-21).
Este novo mundo já teve início e será plenamente manifestado na vinda de Cristo. A ressurreição de Cristo como primícias, porém, significa que o novo mundo já se iniciou.
Nas Escrituras, o novo mundo é um reino de graça que um dia se estenderá por todo o universo. A Bíblia usa vários termos para descrever a nova ordem mundial. Jesus a chamou de “reino de Deus” (Mc 1.15) e “reino dos céus” (Mt 4.17). O Evangelho de João se refere ao novo tipo de vida como a “vida eterna” (Jo 3.16). Em Apocalipse 21.1, é chamado simplesmente de “novo céu e nova terra”. A surpresa da última passagem é que o novo céu e a nova terra não são apenas futuros, mas já se manifestam aqui e agora. Por certo, precisamos ter fé para vê-los, pois, a cada dia, somos confrontados com o mal e a desintegração, tão evidentes em nosso mundo. Não obstante, o novo mundo está se abrindo.
A Igreja de Cristo na terra é uma manifestação visível deste novo mundo. No penúltimo capítulo da Bíblia, João usa três metáforas para descrevê-las: “Nova Jerusalém”, “noiva adornada para seu esposo” e “a esposa do Cordeiro”. As três metáforas bíblicas não se referem ao céu, mas à igreja. João descreve a igreja atual, uma comunidade de fé apresentada como Deus a vê pela lente do Messias: morta para os pecados por causa da cruz, santificada por causa do sepultamento e trazida de volta dos mortos para uma nova vida, por causa da ressurreição.

3. Os cristãos como primícias

Aqueles que seguem a Cristo são primícias, e não apenas pessoas que esperam ir para o céu quando morrerem. A vida deles já produz uma colheita diferente. São movidos pelos impulsos do novo mundo; são diferentes por dentro. Não são mais marcados pela raiva, malícia, violência, cobiça, concupiscência e egoísmo, ou seja, pela colheita característica da carne. Antes, sua vida revela o início de uma transformação autêntica (Gl 5.22-24).
Ainda há mais por vir. Um dia, aquilo que se iniciou com a ressurreição de Cristo e começou a produzir fruto em nós, renovará todas as coisas, em uma colheita abundante, muito além de todo entendimento (1Co 2.9-10).

4. Primícias de nosso testemunho

Havia dois lados da moeda na Festa das Primícias no Antigo Testamento. Primeiro, era uma celebração de gratidão a Deus por todas as bênçãos alcançadas na nova terra. Por outro lado, a festa das primícias, associada à prática da respiga e dos dízimos, lembrava a Israel que havia um longo caminho a percorrer, pois nem tudo ainda estava em ordem. Israel deveria desejar mais, olhar para frente, em direção a um novo dia e, por meio de suas ofertas generosas, socorrer os carentes e necessitados.
A ressurreição de Jesus Cristo, no décimo sexto dia de nisã, também ressoa nesses dois tons. Por um lado, permite que os cristãos experimentem e, portanto, percebam e celebrem, já no presente, as dádivas graciosas do Espírito Santo. Por outro lado, a ressurreição de Cristo deve fazer com que olhem adiante e percebam que há muito a ser feito e que nem tudo está em ordem.
Jesus nos falou da nova vida que seria plantada e de como amadureceria. Por meio da parábola do semeador, ele mostrou que a Palavra de Deus seria lançada no solo como uma pequena semente e, no entanto, produziria “a cem, a sessenta e a trinta por um” (Mt 13.8). A Festa das Primícias representa uma lição: cada cristão leva essa semente em sua nova vida de fé, pois a igreja do Cristo ressurreto é constituída de pessoas com uma missão. Depois de terem sido, elas próprias, transformadas pela graça, agora levam consigo a Palavra e plantam a semente do evangelho por onde passam.

Conclusão

A Festa das Primícias não era apenas mais uma festa a ser celebrada por Israel. Trata-se de uma celebração importante. Por meio dela o povo na nova terra celebrava o novo mundo, a nova vida. Este novo mundo e esta nova vida não eram sentidos de maneira plena. Mas a cada celebração Israel agradecia ao Senhor pelas dádivas alcançadas e colocava a esperança no futuro. Por meio dela o povo era encorajado a ser frutuoso, refletindo cada um diante de seu irmão o cuidado misericordioso de Deus.
A Festa das Primícias é uma celebração cujos significados repercutem até os dias de hoje, visto que tem relação direta com a ressurreição de Cristo. Lembrá-la nos faz refletir e entender sobre os propósitos redentivos de Deus que já se realizaram e que ainda estão por se completar.

Aplicação

A ressurreição de Cristo deu início à nova criação de Deus. Um novo mundo teve início, sendo, os cristãos, primícias desta nova criação. Medite sobre isso por alguns instantes. Você consegue identificar sinais desse novo mundo em sua vida e na vida de outros cristãos de seu convívio?

Autor da lição: Valdemar Alves da Silva Filho
Lições adaptadas do livro Encontrei Jesus numa festa de Israel, de John Sittema, Editora Cultura Cristã.

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