"Tradição Oral do Povo de Israel"

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5 .CONCLUSÕES

Este artigo apresenta a composição da Bíblia Hebraica de acordo com a "Tradição
Oral do Povo de Israel", suas principais traduções e transmissão através das
autoridades rabínicas até a atualidade. Novas traduções das escrituras hebraicas
vinculadas ao Evangelho elaboradas por dissidências cristãs para fins missionários
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surgem constantemente. Apesar das diferenças de pronuncias regionais, a
transmissão das escrituras hebraicas bíblicas pelos massoretas e autoridades
rabínicas manteve o idioma hebraico bíblico.
Essa tradição proporciona até os dias de hoje uma inestimável oportunidade
para que qualquer estudioso da Bíblia Hebraica possa imergir neste paradigma
fascinante com que escrituras foram integradas na literatura de diversas religiões
posteriores.
A Literatura Rabínica é um extenso complexo de compêndios literários
composto por estudos exegéticos, tratados de legislação e estudos místicos que
foram transmitidos de geração em geração através de autoridades e exegetas
rabínicos. As tradições inicialmente orais do Povo de Israel foram compiladas em
textos que foram finalmente organizados e editados no século II da era comum.
Após a edição da Mishná no século II da era comum, as tradições orais e
estudos em concordância com a hermenêutica rabínica e com a doutrina regida
pelas autoridades rabínicas continuavam a ser compilados e transmitidos até que
finalmente fossem editados e reconhecidos como parte da literatura rabínica. O
acervo exegético rabínico realça elementos do texto bíblico imperceptíveis nas
traduções da Bíblia Hebraica, explicando-os a partir do contexto original das
narrativas literárias bíblicas hebraicas e pela perspectiva da cultura judaica como um
todo.
Portanto, o estudo da exegese bíblica hebraica da literatura rabínica é de
grande valia para entender os conteúdos e simbologias dos textos bíblicos hebraicos
e para extrair alusões contidas no Decálogo, no Pentateuco através da semântica do
hebraico bíblico da primeira parte da Bíblia Cristã.
A inclusão da Septuaginta (tradução da Bíblia Hebraica para o grego no
século II antes da era comum - existem divergências cristãs sobre versões) antes
das escrituras evangélicas canonizadas posteriormente em grego na Bíblia Cristã
induz os cristãos a se interessarem por versões trilingues da Bíblia Hebraica
(hebraico - grego e um terceiro idioma). Contudo, a Bíblia Hebraica antecede a
Septuaginta, de modo que a análise das escrituras hebraicas que iniciam a literatura
judaica e cristã deve levar em consideração textos ugaríticos, aramaicos além da
necessidade de analisar a influência grega no oriente. Isto quer dizer que não é o
grego, mas, por exemplo, o Pentateuco Samaritano - que continua a ser transcrito
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até os dias de hoje em Proto-Hebreu - que merece mais atenção nos estudos sobre
o desenvolvimento das escrituras hebraicas.
Aprender grego, conhecer a expansão da cultura grega na Europa Oriental e
no oeste asiático anterior e posterior ao advento do cristianismo, não é fundamental
para o estudo das escrituras hebraicas e sim para analisar a influência da cultura
grega na apropriação e adaptação das escrituras hebraicas e na inclusão destas na
Bíblia Cristã.
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