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EINSTEIN E OS CAMINHOS DA CRIAÇÃO parte 2 (seitas e heresias )

O TEMPO ENQUANTO NÃO-DETERMINAÇÃO

Em linguagem da física da relatividade o tempo gasto é a velocidade da luz multiplicada pela distância que a luz percorreu. Temos então várias medidas de tempo, ou seja, medições diferentes entre dois eventos ou espaços. Gênesis nos apresenta este conceito de tempo com

Dessa maneira, à medida que a luz percorre verticalmente o campo gravitacional da Terra perde energia e sua freqüência diminui. Em outras palavras, espaço e tempo são quantidades dinâmicas. Quando um corpo se move no universo afeta a curva do espaço-tempo e, por sua vez, a curva do espaço-tempo afeta a forma como os corpos se movem e as forças atuam. Só que, e esse conceito é importantíssimo para a relatividade geral, não há como falar de espaço-tempo fora dos limites do universo. Essa premissa é interessante, pois descarta a idéia de um universo imutável, que sempre existiu, para trabalhar com a possibilidade de um universo que teve início, é plástico e encontra-se em expansão.

Ora, o que Gênesis está mostrando é que o universo teve um início, que a criação não é um mito. "Não há nenhum paralelo bíblico aos mitos pagãos que relatam a morte de deuses mais velhos (ou poderes demoníacos) pelos mais jovens; não se acham presentes nos tempos primevos quaisquer outros deuses. As batalhas de Iahveh com monstros primevos, aos quais é feita ocasionalmente alusão poética, não são lutas entre deuses pelo domínio do mundo. As batalhas de Iahveh com Raabe, o dragão, Leviatã, no mar, a serpente veloz, etc., não são esclarecidas pela referência ao mito da derrota de Tiamat por Marduc e sua subsequente tomada do poder supremo". [Yehezkel Kaufmann, A Religião de Israel, São Paulo, Perspectiva, 1989].

Assim, para a teoria da relatividade o universo tem começo como singularidade, que ficou conhecida como Big Bang e deverá ter um final também singular, o colapso total ou Big Crunch. Mesmo sem querer forçar, o Big Crunch nos leva ao texto de Pedro: "Ora, os céus e a terra estão reservados pela mesma palavra ao fogo (...) O dia do Senhor chegará como ladrão e então os céus se desfarão com estrondo, os elementos, devorados pelas chamas se dissolverão e a terra, juntamente com suas obras, será consumida" (II Pedro 3.7 e 10). Só que, como o espaço-tempo é finito, mas sem limites, o Big Crunch poderia levar a uma concentração de energia tal, que muito possivelmente possibilitaria a formação de um novo universo. E essa formulação nos leva a outro texto bíblico: "Vi então um céu novo e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra se foram (...)" Apocalipse 21.1.

"De forma semelhante, se o universo explodisse novamente, deveria haver um outro estado de densidade infinita no futuro, o Big Crunch, que seria o fim do tempo. Mesmo que o universo como um todo não entrasse novamente em colapso, haveria singularidades em algumas regiões determinadas, que explodiriam para formar buracos negros. Essas singularidades seriam o fim do tempo para quem ali caísse. Na grande explosão e demais singularidades todas as leis são inoperantes. Então, Deus ainda teria tido completa liberdade para escolher o que aconteceu e como o universo começou".
[Stephen Hawking, op. cit., p. 236].

Ora, como a expansão do universo implica em perda de temperatura, que é uma medida de energia, quando o universo dobra de tamanho, sua temperatura cai pela metade. Assim, quando Deus cria o universo, supõe-se que tinha tamanho zero e temperatura infinitamente quente. Mas à medida que se expande, a temperatura cai. Isso explica porque o universo é tão uniforme, e parece igual mesmo nos mais diferentes pontos do espaço. Uma das consequências, caso consideremos o fiat divino como o Big Bang, é que a partir da grande explosão não houve tempo de a luz se deslocar por ilimitadas distâncias. É por isso que Gênesis apresenta em primeiro lugar tohu e bohu, as trevas e o abismo, e só no versículo três o surgimento da luz.

É interessante ver que uma das possibilidades que alguns físicos baralham, um pouco a contragosto, é a de que Deus escolheu a configuração inicial do universo por razões que não temos condições de compreender. Consideram que os acontecimentos do surgimento do universo não se deram de forma arbitrária, mas refletem um ordem comum. Hawking, como não é teólogo, opta por uma variável que chama limitação caótica ou escolha ao acaso. Dentro desse ponto de vista, o universo primordial surgiu como caos. Ora a segunda lei da termodinâmica mostra que há essa tendência no universo, e que a ordem e o equilíbrio, ou seja, a vida, que é a forma mais organizada da matéria, surge como oposição a este caos.

"Einstein uma vez formulou a pergunta: 'Que nível de escolha Deus teria tido ao construir o universo?' Se a proposta do não limite for correta, ele não teve qualquer liberdade para escolher as condições iniciais. Teria tido, ainda naturalmente, a liberdade de escolher as leis a que o universo obedece. Isto, entretanto, pode não ter sido um grau assim tão elevado de escolha. Pode ter sido apenas uma, ou um pequeno número de teorias completas unificadas, tal como a teoria do filamento heterótico, que são autoconsistentes e permitem a existência de estruturas tão complexas quanto os seres humanos, que podem investigar as leis do universo e fazer perguntas acerca da natureza de Deus".
[Stephen Hawking, op. cit., p. 237].

"Toda variação de entropia no interior de um sistema termodinâmico pode ser decomposta em dois tipos de contribuição: a entrada exterior de entropia, que mede as trocas com o meio e cujo sinal depende da natureza dessas trocas, e a produção de entropia, que mede os processos irreversíveis no interior do sistema. É essa produção de entropia que o segundo princípio define como positiva ou nula". [Ilya Prigogine e Isabelle Stengers, Entre o Tempo e a Eternidade, São Paulo, Companhia das Letras, 1992, p. 53].

"(...) as leis científicas não distinguem entre as direções para frente e para trás do tempo. Entretanto, há pelo menos três setas de tempo que distinguem o passado do futuro, que são a seta termodinâmica, direção do tempo em que a desordem aumenta; a seta psicológica, direção do tempo na qual se recorda o passado e não o futuro; e a seta cosmológica, direção do tempo em que o universo se expande mais do que se contrai. Demonstrei que a seta psicológica é essencialmente a mesma que a termodinâmica, de modo que ambas sempre apontam para a mesma direção. A proposta do não limite para o universo prevê a existência de uma seta termodinâmica do tempo bem definida, porque o universo deve começar num estado plano e ordenado. E a razão por que se observa esta seta termodinâmica se adequar à cosmologia é que os seres inteligentes só podem existir na fase de expansão".
[Stephen Hawking, idem, op. cit., pp. 210, 211].

Coerente com sua visão de que Deus não joga dados com o universo, Einstein dará um feroz combate às teses de acausalidade na mecânica quântica, defendidas pelas escolas de Copenhagem e Gottingen. "Não posso suportar a idéia de que um elétron exposto a um raio de luz possa, por sua própria e livre iniciativa, escolher o momento e a direção segundo o qual deve saltar. Se isso for verdade, preferia ser sapateiro ou até empregado de uma casa de jogos em vez de ser físico". Citado por Franco Selleri, Paradoxos e realidade, Ensaios sobre os Fundamentos da Microfísica, Lisboa, Fragmentos, 1990, p. 41. Em 1944, voltaria à carga: "Nem sequer o grande sucesso inicial da teoria dos quanta consegue convencer-me de que na base de tudo esteja o indeterminismo, embora saiba bem que os colegas mais jovens considerem esta atitude como um efeito de esclerose. Um dia saber-se-á qual destas duas atitudes instintivas terá sido a atitude correta". [Ibidem, op. cit. p. 59].

Guardadas as devidas proporções, Agostinho, pai e mestre da igreja cristã, também considera que o caos transcende o tempo. "E por isso o Espírito, Mestre do vosso servo, quando recorda que no princípio criaste o céu e a terra, cala-se perante o tempo. Fica em silêncio perante os dias. O céu dos céus, criado por Vós no princípio, é, por assim dizer, uma criatura intelectual, que apesar de não ser coeterna convosco, ó Trindade, participa contudo da vossa eternidade. (...) Sem movimento nenhum desde que foi criada, permanece sempre unida a Vós, ultrapassando por isso todas as volúveis vicissitudes do tempo. Porém, este caos, esta terra invisível e informe não foi numerada entre os dias. Onde não há nenhuma forma nem nenhuma ordem, nada vem e nada passa; e onde nada passa, não pode haver dias nem sucessão de espaços de tempo" [Santo Agostinho, Confissões, XII, 9, SP, Abril, 1973, pp. 264, 265].

O bispo de Hipona faz claramente uma separação, não somente neste texto, entre os céus dos céus, uma dimensão além dos limites da ciência, e "o nosso céu e a nossa terra" (universo), que segundo ele é terra. Para ele é totalmente compreensível que essa terra fosse "invisível e informe", pois estava reduzida a um abismo sem luz, exatamente porque não tinha forma. Diríamos hoje, não há espaço-tempo. E, de maneira brilhante, tenta uma definição, apesar de alertar para suas limitações: "um certo nada, que é e não é". Interessante, Nissi ben Noach diria praticamente a mesma coisa.

"O conceito de tempo não tem significado antes do começo do universo. O que foi apontado pela primeira vez por Agostinho, quando indagou: 'O que Deus fazia antes de criar o universo?'"[Stephen Hawking, op. cit., p. 27].

Conhecemos as três principais teorias cristãs sobre a criação: tudo é criação original, teoria da brecha e teoria do caos. A partir do que vimos, gostaria de fazer alguns acréscimos à teoria do caos:

1. O versículo primeiro de Gênesis-Um está fora do espaço-tempo. Nesse sentido refere-se à dimensão divina do céus dos céus conforme explicita Agostinho. A criação do espaço-tempo começa com o próprio caos, que não deve ser entendido como negação ou pura ausência, mas como entropia. É ex-nihilo enquanto universo-espaço-temporal que surge, mas não enquanto realidade de Deus, que repousa naqueles quatro conceitos enumerados por Noach: determinação, proclamação, trabalho e ordem.

2. O tempo não pode ser medido pois não é cronológico, é o tempo da ordem/organicidade de Deus, ou se quisermos kairoV, ou. Isso é explicável porque não há um tempo, mas diversos tempos. A criação implica na expansão do espaço-tempo. Assim o espaço-tempo de Gênesis 1:3 é totalmente diferente do espaço-tempo de Gênesis 1:12.

3. Toda discussão que tente uma polaridade entre evolução teísta ou criação de seis dias de vinte e quatro horas não procede. Isto porque o espaço-tempo entre os seis dias não são iguais e porque não há evolução, uma teoria do progresso aplicada à natureza. Há criação e expansão da massa, o que na Bíblia traduz-se em criação e sustentação. "És tu, Iahveh, que és o único! Fizeste os céus, os céus dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo o que ela contém, os mares e tudo o que eles encerram. A tudo isso és tu que dás vida, e o exército dos céus diante de ti se prostra". (Neemias 9.6).

Parte II
A CONFISSÃO POSITIVA E AS ENFERMIDADES

A seguinte declaração de Jesus deve causar algum incômodo aos filhos da Confissão Positiva: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20).

Como é que Jesus fez tal declaração negativa? Ele desconhecia que as palavras têm poder? Que o que falamos se transforma em realidade? Que confirmar miséria é duvidar da providência divina? É dar brecha ao diabo? É claro que Jesus desconhecia tal doutrina. A doutrina dEle era a da Verdade. Jesus sabia que nem sempre o que é positivo é verdadeiro. Não procurava enganar a Si próprio. Se um “positivista”, por algum motivo, for morar debaixo de uma ponte dirá: “Estou morando numa linda mansão com piscina de água cristalina”.

Jesus disse que Pedro O negaria três vezes. Aconteceu exatamente como afirmara, apesar da confissão positiva de Pedro (Lc 22.34, 57-60). Que coisa! Como é que o Mestre fez essa confissão negativa? Falou negativo, deu negativo. Em outra ocasião, Pedro disse a Jesus, em tom de branda repreensão, que de modo nenhum Ele iria padecer em Jerusalém, nas mãos dos principais sacerdotes e escribas. Ouviu uma dura repreensão: “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mt 16.22,23). Jesus disse que Pedro estava agindo de modo semelhante ao diabo, querendo impedir Sua morte expiatória. Pedro já deveria ter aprendido que o positivo para Jesus era sempre o verdadeiro, e não o falso. Se ele disse que seria morto Jerusalém, é porque Ele seria morto em Jerusalém.

O rei Josafá andou na contramão da Confissão Positiva. Fez tudo ao contrário. Em vez de levantar-se e exigir que o diabo saísse do seu caminho; em vez de “confessar a Palavra de Deus” que sempre prometeu livramento ao seu povo; em vez de “decretar” a sua vitória, “pôs-se a buscar o Senhor, e apregoou jejum em todo o Judá”, e disse: “Em nós não há força perante esta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti” (2 Cr 20.3,12). As palavras de Deus ainda estavam bem conservadas no coração daquele rei: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14).

A Bíblia nos ensina que nossas confissões positivas não podem contrariar a verdade dos fatos. Se um crente está com um câncer nos intestinos, com metástase no estômago e no fígado, não pode simplesmente afirmar que são apenas sintomas ou artimanhas do diabo para que haja confissão negativa. E quando o crente morre é porque morreu mesmo; não são sintomas da morte. Se o apóstolo Paulo fosse um “positivista”, teria negado a existência de um espinho na sua carne.
Teria dito: “Saia de cima de mim, Satanás. Você quer me enganar com seus sintomas, mas você não me engana não. Ouviu bem, seu safado? Arrume tudo o que é seu e esqueça meu endereço. O Senhor já levou as minhas dores e enfermidades. Já fui completamente curado por Suas pisaduras”.

Porém, com humildade, e reconhecendo a realidade da situação, revelou que “orei [pediu] ao Senhor por três vezes” para que desviasse de mim esse espinho. A reposta de Deus foi um “NÃO” bem grande. Os “positivistas” não querem nem ouvir falar nessa “fraqueza” de Paulo. O apóstolo era um pessimista? Ou era porque ele, seguindo o exemplo de Cristo, sempre falava a verdade? Falava o que era verdadeiro sem perder a confiança: “Como a verdade de Cristo está em mim, esta glória não me será impedida nas regiões da Acaia” (2 Cr 11.10). De modo algum Paulo seria admitido no rol dos arautos da Confissão Positiva. Como é que um crente que já foi sarado pode sofrer tantas adversidades? Mas Paulo se gloriava nas fraquezas: “Sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor a Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte” (2 Co 12.10). Os arautos ensinam e afirmam: “Não sou fraco, não fico doente, não passo necessidade, então sou forte”.

Não podemos confessar nossas doenças porque elas não existem, porque são apenas sintomas colocados pelo diabo para nos enganar? O Apóstolo desconhecia essa estratégia do inimigo. Não negou que estava doente quando pregou pela primeira vez aos gálatas (Gl 4.13-14) e confessou a doença de Trófimo e a freqüente enfermidade de Timóteo (2 Tm 4.20; 1 Tm 5.23).

Deus é bom, não castiga ninguém com doenças nem que seja para provar a fé de seus filhos? Leiamos: 1) “E disse-lhe o Senhor: Quem fez a boca do homem? Ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? (Êx 4.11). 2) “E o Senhor feriu o rei, e ficou leproso até ao dia da sua morte” (2 Rs 15.5). 3) “A lepra lhe saiu na testa [de Uzias]... visto que o Senhor o ferira” (2 Cr 26.19,20). 4) “Miriã ficou leprosa como a neve” porque “a ira do Senhor se acendeu” contra ela” (Nm 12.9-10). 5) Jó “era homem íntegro, reto e temente a Deus e se desviava do mal”; foi chamado por Deus de “meu servo”, mas Deus permitiu que a destruição viesse sobre ele: perdeu seus filhos e seus bens, e ficou coberto de “úlceras malignas, desde a planta do pé ao alto da cabeça” (Jó 1.1,8,12; 2.5).

Deus sempre atende ao que lhe pedimos? Deus disse “não” a Moisés quando este pediu para entrar em Canaã: “Rogo-te que me deixes passar, para que veja esta boa terra. Porém o Senhor não me ouviu. Antes o Senhor me disse: Basta, não me fales mais deste assunto” (Dt 3.25-26). É porque esse Deus era do Antigo Testamento? Mas na Nova Aliança Ele também não atendeu ao pedido de Paulo na questão do espinho na carne (2 Co 12.7-9). Hoje em dia, Ele diz não a muitos de seus filhos, porque muitas vezes pedimos coisas inconvenientes, ou que serão pedra de tropeço no futuro. Graças a Deus não somos atendidos em tudo que Lhe pedimos. O melhor é dizermos “se Deus quiser”, pois Ele sabe o que é melhor para nós (Tg 4.15). A Confissão Positiva condena com veemência a oração em que se diz “se for da Sua vontade”. Mas vejam:

“Porque melhor é que padeçais fazendo bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal” (1 Pe 3.17; cf 4.19). “Esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo 5.14). Os crentes são exortados a orarem para que a vontade de Deus seja feita (Mt 6.10; 26.42.
Lc 11.2; Rm 15.30-32; Tg 4.13-15).

Comparemos agora esses fatos bíblicos com o pronunciamento de alguns arautos da Confissão Positiva:

“Jesus era sempre positivo em Sua mensagem” (E.W.Kenyon). Positivo ou sincero? A conotação do Movimento é diferente. Confessar positivo é dizer as coisas boas segundo as promessas da Bíblia. Exemplo: se alguém está doente, nunca deve confessar que está doente, mas dizer que já foi curado. Se um casal crente tiver um filho paraplégico, deve dizer que a criança está curada. Levar uma criança ao médico, ainda que os sintomas nos digam que se trata de grave enfermidade, é não confiar na Palavra de Deus.

Assim, podemos dizer que Deus foi sincero, e não positivo, quando disse ao primeiro casal: “Porque no dia em que dela comeres certamente morrerás” (Gn 2.17). E quando disse à mulher: “Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos” (3.16). E quando disse a Adão: “Maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida” (v.17).

“Nosso problema é que oramos e confessamos muito., mas não mandamos. É gostoso mandar!...
Jesus pagou o preço para fazermos isso...”
(Kenneth Hagin Jr).
Isto é, orar muito não convém; confessar nossas fraquezas, idem. Mandar seria o melhor caminho. Que arrogância! Tal ensino destoa dos termos da oração-modelo ensinada por Jesus: “Pai nosso, que estais nos céus, seja feita a tua vontade... não nos deixes cair em tentação, livra-nos do mal...”. Na relação com o Pai, Jesus não mandava: “Se queres, passa de mim este cálice” (Lc 22.42).

“Não ore mais por dinheiro... Exija tudo o que precisar. Deus quer que seus filhos usem a melhor roupa, dirijam os melhores carros e tenham o melhor de tudo... simplesmente exija o que você precisa” (Kenneth Hagin). O tema principal da Confissão Positiva é dinheiro, sucesso, prosperidade para viver bem aqui e agora. Muito pouco ou quase nada se fala em arrependimento e perdão, uma das primeiras recomendações de Pedro, no início da Igreja (At 2.38).

“Satanás, espíritos demoníacos da AIDS, eis que eu os amarro! Vocês, espíritos demoníacos do câncer, da artrite, das infecções, da enxaqueca, da dor – saiam já desse corpo. Espíritos de enfermidades que atormentam o estômago, Satanás, eu amarro você, no nome de Jesus” (Roberto Tilton, na televisão). Algumas dessas enfermidades não têm nada a ver com demônios, mas com desejos pecaminosos da carne. “Infelizmente, porque esses vícios humanos [como o de fumar], como a lascívia, o egoísmo e a glutonaria são tidos como provocados pelos demônios, os crentes se condicionam a interpretá-los como ataques satânicos, fugindo à sua responsabilidade pessoal.
Quando um homem casado comete adultério, ele pode racionalizar convenientemente o seu pecado, ser exorcizado do “demônio” da lascívia, e seguir seu caminho sem ao menos descobrir seu verdadeiro problema espiritual – que é a raiz de tudo – e a única e real solução – o arrependimento” (Hank Hanegraaff).

“Quase a cada dia um novo personagem da Fé parece emergir do nada. Entretanto, todos têm uma coisa em comum: as conseqüências de seus ensinos são letais. Nalguns casos, o dano é físico; noutros, espiritual, e, tragicamente, em alguns poucos, o dano é múltiplo, tanto um como o outro. Só podemos orar para que a Igreja cristã finalmente reconheça os proponentes da Fé [Confissão Positiva] como o que de fato são: falsos mestres que estão desviando seus seguidores da verdadeira fé para o reino das seitas” (Hank Hanegraaff, Cristianismo em Crise, p.393).
“Recuso-me a considerar o meu corpo, recuso-me a ser movido pelo que vejo e pelo que sinto...Escolho ouvir sua Palavra, em vez de dar crédito ao que meu corpo tenta dizer... Tenho visto pessoas morrerem, mas eu continuo firme, dizendo: `Bendito seja Deus, você não vai morrer! E de qualquer jeito morrem!´ Mas permaneço alegre porque resisti” (Kenneth Copeland). Aí temos uma confissão negativa da Confissão Positiva. Ou seja: há pessoas que adoecem e morrem, apesar da oração, apesar de “por suas pisaduras fostes sarados”. Copeland não deveria permanecer alegre ao ver os outros morrerem. Deveria se recolher em arrependimento e reconhecer que acima de tudo está a soberania de Deus, que não promete cura instantânea e automática para todos os que passam à condição de filhos de Deus (Jo 1.12).

“A fé em Deus – fé que parte do coração – acredita na Palavra de Deus, sem importar quais sejam as evidências físicas. Uma pessoa que busque cura deveria olhar para a Palavra de Deus e não para seus sintomas. Ela deveria dizer: “Sei que estou curada, porque a Palavra diz que pelas suas pisaduras eu fui curada” (Kenneth Hagin).

Seguindo os passos doutrinários de Hagin e de outros “positivistas”, o televangelista brasileiro R.R. Soares assim resume suas convicções: É errada a idéia que “o Senhor Deus é quem cura, e que Ele é o responsável para que os milagres ocorram. Enquanto você esperar que Ele venha curá-lo, provavelmente continuará sofrendo. Se você descobre que certa coisa é sua, você não precisará de nenhuma fé para exigir aquilo que sabe que é seu. Você simplesmente tomará posse do que é seu. Você deve exigir o cumprimento do seu direito imediatamente e, logicamente, ficar curado. Você deve “exigir os seus direitos em Cristo. Usar a frase `se for a Tua vontade´ em oração pode parecer espiritual, e demonstrar atitude piedosa de quem é submisso à vontade do Senhor, mas além de não adiantar nada, destrói a própria oração. Não é pela misericórdia de Deus que você poderá ser curado, mas sim que você tem o direito de exigir a sua cura. É só você crer no que o Senhor declara e exigir a Sua bênção [exigir de Deus a bênção], ordenando ao mal que saia do seu corpo. Você não precisa orar, jejuar ou pedir a quem quer que seja para orar por você. Segundo estas declarações [Is 53.4,5] você pode ter certeza absoluta que Deus já o curou.
Você é o único responsável por sua cura. Você deve exigir o cumprimento do seu direito imediatamente e, logicamente, ficar curado” (R.R.Soares, “O Direito de Desfrutar Saúde”, pp. 6,7,8,10,17-19,23,31).

“Aquilo que você diz invariavelmente torna-se no que você será ou terá. Falar em fracasso, comentar o quanto você sofre, confessar o que o mal está lhe fazendo, é dar aos poderes das trevas o senhorio da sua vida. As suas palavras farão de você um vencedor ou um derrotado. São as nossas palavras que nos darão saúde, ou que nos manterão enfermos. Os sintomas não significam que você já esteja doente. Quando você fala dos seus sofrimentos e dissabores... você faz com que o inimigo tenha mais força e controle sobre a sua vida. Quem confessa isso está semeando as piores sementes da destruição. Quando o diabo lhe trouxer qualquer sintoma de doença ou de qualquer outra coisa, recuse receber e resista-lhe usando a Palavra do Senhor. Assim, você não ficará enfermo. É impossível alguém confessar fracassos e derrota e viver vitoriosamente. Não adianta ficar orando, jejuando e pedindo ao Senhor que o vença [o diabo] por você”.
(R.R.Soares, A Sua Saúde Depende do que Você Fala, pp. 5,6,9,10,42,43).

Os bereanos foram chamados de “mais nobres” em relação aos de Tessalônica “porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11).
Sejamos tão nobres quanto aqueles irmãos de Beréia. Façamos um resumo da doutrina apresentada por R. R. Soares: 1) Não é Deus quem cura. 2) A ocorrência de milagres não é responsabilidade de Deus. 3) É inútil ficar esperando por Deus. 4) O crente não precisa de fé para exigir o que é seu. 5) O crente deverá simplesmente exigir seus direitos em Cristo. 6) Colocar-se à mercê da vontade de Deus anula a oração. 7) A cura não decorre da misericórdia de Deus, mas do direito a que fizemos jus, o qual deve ser exigido. 8) Basta exigir que o mal saia do corpo, sem necessidade de orar ou jejuar, ou pedir oração a qualquer pessoa. 9) As doenças que os crentes julgam ter são apenas sintomas. 10) Quem fala de seus sofrimentos e dissabores está semeando as piores sementes da destruição.

Essa doutrina é estranha à Bíblia. Os expositores da teologia da prosperidade têm a liberdade de criar dia após dia novas teses, conceitos, dogmas, modismos sem fim. Agora mesmo – escrevo em setembro de 2004 – a Igreja Universal lançou a campanha para troca do anjo da guarda. Os cristãos brasileiros foram convidados a comparecerem aos templos daquela Igreja para os procedimentos legais com vistas à substituição do seu anjo guardião. Mas voltemos ao que foi ensinado pelo missionário, que tentou sintetizar em dois ou três livros a doutrina da teologia da prosperidade.

Para contradizer esses ensinos, vejamos, em primeiro lugar, a carta de Paulo aos filipenses: “Mas confio no Senhor que também eu mesmo, em breve, irei ter convosco. Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão, e cooperador, e companheiro nos combates...
porquanto tinha muitas saudades de vós todos e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente. E, de fato, esteve doente e quase à morte, mas Deus se apiedou dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza” (Fp 2.24-27).

Primeiro, deduz-se desse relato que crente adoece e poderá chegar a morrer em conseqüência da doença. Paulo também declara que Timóteo sofria de freqüentes enfermidades no estômago (1 Tm 5.23) e que ele mesmo orou três vezes ao Senhor para que se livrasse de um espinho na carne, e o Senhor não o atendeu (2 Co 12.7-10).

Segundo, vimos que Epafrodito e Timóteo não estavam com sintomas de doença, mas estavam enfermos mesmo.

Terceiro, Paulo não apelou para exigir seus direitos em Cristo ou para mandar o diabo sair nem dele nem de seus discípulos. Pelo contrário, considerou que a cura de Epafrodito foi resultado da misericórdia de Deus (“Deus apiedou-se dele”).

Quarto, o texto nos revela que Paulo sempre esperava que a vontade de Deus prevalecesse. Isto está ainda mais claro na questão do espinho na carne.

Quinto, vê-se que não se pode interpretar em termos absolutos o versículo 22, capítulo 21 de Mateus: “E tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (v.Mc 11.24). Vimos que Deus disse “não” para Paulo e Timóteo e “sim” para Epafrodito. É que nossos pedidos esbarram na soberana vontade de Deus, que pode agir ou deixar de agir, atender ou não atender.
Sexto, vimos que em nenhum momento Paulo julgou que a enfermidade de Epafrodito e Timóteo fosse de origem maligna, embora o apóstolo fosse dotado de discernimento para detectar tal investida (v.Atos 13.8-11; 16.16-17).
Sétimo, deduz-se que a vontade de Deus prevaleceu nas enfermidades desses dois irmãos, pois Deus, “pelas mãos de Paulo, fazia maravilhas extraordinárias, de sorte que até os lenços e aventais levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam” (At 19.11-12). Apesar de tais poderes, não pôde curar seus queridos companheiros. Entendemos portanto que tudo o que pedirmos receberemos... se for da vontade de Deus.
Filipenses 2.24-17 talvez não tenha sido suficiente para convencer os contradizentes (Tt 1.9). Vamos então obter mais subsídios no livro de Tiago, escrito “para encorajar os crentes judeus que enfrentavam várias provações, que punham sua fé à prova, para corrigir crenças errôneas a respeito da natureza da fé salvífica”. Não há dúvida quanto aos destinatários do livro: “Doze tribos da Dispersão” (Tg 5.1); “irmãos” (5.2,19; 2.1,5; 5.7,9,10,12). Vejamos o que diz: “Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará... Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.13-16). Deduz-se que:

Primeiro, em qualquer situação devemos falar com Deus e rogar por Sua misericórdia. Segundo, o pedido é feito, mas quem levanta o enfermo é o Senhor, se Ele quiser. Não é a nossa atitude isolada de levantar-se e exigir nossos direitos em Cristo Jesus. Terceiro, contrariando a doutrina da prosperidade, Tiago recomenda pedir oração a outro irmão, “orai uns pelos outros”.
Falta mais alguma coisa. A Confissão Positiva diz que se confessarmos nossos problemas estaremos semeando destruição e dando brecha para o diabo nos dominar. Vamos recorrer em primeiro lugar ao Senhor, que revelou não ter onde repousar a cabeça, como já dito no início deste trabalho (Mt 8.20). E mais uma vez recorremos a Paulo, que de modo algum seria aceito como arauto da Confissão Positiva. Além de não negar seu “espinho na carne”; de não ocultar a doença em Timóteo e Epafrodito, ele jogou pesado ao falar de suas vicissitudes. Vejamos.

“São ministros de Cristo? Eu ainda mais; em trabalhos, muito mais; em açoites, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentena de açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, de salteadores; em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, na cidade, no deserto, no mar, entre falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez” (2 Co 11.23-27).

Como o próprio nome diz, a Confissão Positiva ensina que devamos falar positivamente, confessando a Palavra. O Espírito Santo não orientou Paulo nessa direção. Ele, segundo essa doutrina, deveria ter dito: “Nunca passei fome nem sede, nem sofri açoites nem perseguições porque a Palavra diz que Deus supre as minhas necessidades. Porque Deus não deseja que nenhum filho seu sofra; porque Deus é amor dEle não pode se originar o mal, por isso eu vivo num mar de rosas, e a minha casa tem uma piscina de água mineral e empregados à minha disposição. Eu sou um homem próspero”. Nada disso. Paulo falou simplesmente a verdade, sem receio de que suas “poderosas” palavras o colocasse sob o senhorio de forças malignas. Não satisfeito com o relato de suas mazelas, Paulo ainda declarou que se gloriava em suas fraquezas (v.30), que sentia “prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte” (2 Co 12.10). Jamais um discípulo da Confissão Positiva diria tamanha asneira. Falaria assim: “Sinto prazer na minha boa vida, quando estou no meu carro importado, comendo em bons restaurantes, ganhando muito dinheiro. Porque, enquanto sou próspero, sou forte”.

Nossas palavras têm poder? Aquilo que falamos se concretiza? Não aconteceu com Jonas. Ele preferiu morrer a cumprir a missão em Nínive. Foi preciso passar pelo vale da sombra da morte para compreender que Deus é soberano e faz o que lhe agrada (Jn 1.12,17): “Agindo eu, quem o impedirá?” (Is 43.13). Eu mesmo, durante a doença de minha esposa, pedi que, se fosse da vontade de Deus levá-la para Si, levasse a mim. Eu a substituiria na morte. Deus tinha outro plano. Ele não me atendeu.

Pelas suas pisaduras fomos sarados

A principal coluna em que a Confissão Positiva se sustenta, com relação às enfermidades, é Isaías 53.4-5, como segue: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si... Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. A partir daí, os arautos defendem que, ao sermos aceitos como filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, estamos automaticamente livres de qualquer espécie de doença; que a nossa conquista de saúde perfeita se deu na cruz; que não precisamos orar, ter fé ou pedir que a vontade de Deus seja feita; que cabe a cada um se levantar e tomar posse da bênção e exigir de Deus seus direitos, e, do diabo, que saia do nosso corpo. Em síntese, é assim que a Confissão Positiva apresenta sua doutrina. Benny Hinn tenta resumir a questão assim: “Se seu corpo pertence a Deus, não pode pertencer às enfermidades”. Kenneth Copeland: “Depende de você decidir se quer ou não viver sofrendo enfermidades”. Kenneth Hagin: “Faz grande diferença aquilo que alguém pensa. Acredito que esse é o motivo pelo qual muitas pessoas estão enfermas. O que faz um crente ser bem-sucedido é o pensamento certo, a crença certa e a confissão certa”.

Devemos aceitar pacificamente tais ensinos, ou fazermos como os bereanos? A segunda opção é a mais correta, pois tudo deve ser examinado e passado pela peneira da Palavra.

Vejamos a experiência pessoal. Você conhece ou teve notícias de crentes verdadeiros que estão ou estiveram doentes? Muitos, não é verdade? Você conheceu crentes fiéis que morreram em conseqüência de determinada doença, apesar das orações e vigílias? Muitos, não é verdade? Talvez o próprio leitor esteja lutando contra determinado mal, apesar de se levantar, de exigir, de repreender.

As evidências nos revelam que os crentes adoecem e eventualmente morrem em conseqüência das enfermidades adquiridas. Isto é um fato. Outra comprovação, além das nossas experiências pessoais e dos exemplos bíblicos, já relatados (Paulo, Timóteo, Epafrodito), é a que lemos no livro de Tiago, capítulo cinco, já citado. Ali se diz que crente pode adoecer, e, quando, adoece, o melhor é pedir oração (vv. 14,15 e 16).

Tais evidências nos levam a refletir no seguinte: a) Se “pelas suas pisaduras fomos sarados”, por que as doenças ocorrem? b) As doenças relatadas na Bíblia e as que conhecemos por experiências pessoais são apenas sintomas? Elas não existem e nunca existiram? c) Se nossas doenças foram levadas por Jesus há dois mil anos, por que Deus na Sua Palavra, pela carta de Tiago aos crentes, recomenda que estes chamem os presbíteros para receberem oração? d) Por que a doutrina de não pedir oração, de não aceitar, de decretar, estrebuchar, exigir somente foi dada aos santos da Confissão, depois de dois mil anos? e) Tiago não foi inspirado pelo Espírito Santo e portanto suas recomendações não servem para os dias atuais?
Tais proposições nos levam a examinar com maior atenção Isaías 53.4-5. O versículo quatro fala em “enfermidades” e “dores”. Os versículos 5 a 12 falam em “transgressões”, “iniqüidades”, “expiação do pecado” “justificará a muitos e “levar sobre si o pecado de muitos”. Então, o livramento proporcionado por Jesus envolve os problemas físicos e espirituais, isto é, abrange enfermidades e pecados, porém em tempos diferentes. Como veremos mais adiante, a profecia de Isaías foi cumprida uma parte durante o ministério de Jesus (Mt 8.16-17) e outra na Sua expiação (1 Pe 2.24). Se a morte expiatória de Cristo nos torna imune às doenças, como propõem os “positivistas”, deveria também nos tornar imunes ao pecado, pois os efeitos da expiação envolvem “transgressões”. “iniqüidades” e “enfermidades” (Is 53.4-5). Se a proposta dos “positivistas” diz que estamos livres das enfermidades, por que não encampa também o pecado? Seríamos então seres perfeitos em todos os aspectos, iguais a Adão e Eva antes da queda. Não sofreríamos sequer de dor de dente ou de unha cravada, e estaríamos isentos de qualquer pecado. Mas não é assim.

Já vimos que estamos sujeitos às doenças, e, quanto ao pecado, sabemos que não estamos isentos dele. Não vivemos na prática do pecado (1 Jo 5.18), o pecado não tem domínio sobre nós (Rm 6.14), mas pecamos eventualmente. Tiago recomenda aos crentes que confessem seus pecados uns aos outros (Tg 5.16). “Ele foi ferido por nossas transgressões” (Is 53.5) é o mesmo que “Cristo morreu por nossos pecados” (1 Co 15.3). Os presbíteros, assim como todos os crentes, estão sujeitos a pecar (1 Tm 5.20). Leiam mais: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 Jo 1.8,10). A natureza pecaminosa é uma ameaça constante na vida do crente. Contamos com o socorro do Espírito Santo para que as obras do corpo sejam mortificadas (Rm 8.13; Gl 5.16-25). Mas há um escape para quem peca: “Se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9).

Todos os dias os “positivistas” oram por crentes enfermos. É uma incoerência. Eles oram, rogam a Deus, expulsam as enfermidades chamando-as pelo nome e declaram que “estão curados em nome de Jesus”. Ora, seria o caso de agir conforme ensinam, isto é, não adianta orar nem ter fé; basta tomar posse do direito conquistado. Para que haja coerência com o que pregam, em vez de oração deveriam dizer aos irmãos doentes: “Voltem para seus lugares. Vocês não estão enfermos. Será preciso explicar tudo novamente? Vocês foram curados há dois mil anos. O que vocês estão sentindo é apenas um sintoma colocado pelo diabo para enganar vocês. Essa miopia, essa dor de dente, dor na coluna, sinusite, câncer nas vias respiratórias, tudo isso vai passar. Basta mandar o diabo sair do corpo de vocês e proferir palavras de comando para que se cumpra o que está dito na Palavra. Voltem tranqüilos; não procurem médicos nem tomem remédios. Se alguém morrer, é porque já estava no tempo. Pelo menos morrem positivamente”. Ademais, quando oram pela cura dos crentes estão “confessando” a doença de cada um. Incoerência.

Dizem que Deus não deseja que seus filhos fiquem doentes. Este argumento é mais ou menos semelhante ao usado pelo espiritismo com relação ao inferno. Ora, Deus, sendo amor, bondade e misericórdia, também não deseja que nenhum se perca ou cometa qualquer pecado. Porém, ele conhece as nossas fraquezas. Para o pecado, temos o Espírito Santo que nos convence quando nos desviamos da Palavra. Pelo arrependimento, recebemos o perdão e a nossa conciliação com Deus se restabelece. Para a doença, Deus capacitou a Igreja com “dons de curar” destinados à restauração da saúde (1 Co 12.9; cf. Mc 16.18). Deus estaria sendo incoerente? Observadas as recomendações de Tiago 5.14-15, entende-se que os dons de curar se destinam a curar também os crentes. Como pode? Os crentes foram ou não foram curados há dois mil anos “pelas pisaduras” de Jesus? Podemos entender como dons de curar sintomas? Improvável.

Mateus 8.17 é usado pela Confissão como prova de que nenhum vírus ou bactéria ataca os crentes: “E chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças”.

Quando realizou essa cura e outras mais, Jesus ainda não havia passado pelo Calvário. Ao realizá-las durante seu ministério, cumpriu-se a profecia messiânica de Isaías 53. Foi necessário que assim procedesse para mostrar que Ele era realmente o Messias esperado e profetizado; que se Ele tinha poder para curar, também o tinha para perdoar. Caso semelhante ocorreu quando, no início de sua missão, leu Isaías 61.1, e, ao final, disse: “Hoje, se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4.21). Ele veio para libertar os cativos, e libertou-os. A dois discípulos de João Batista, que lhe perguntaram se ele era o Messias esperado, Jesus respondeu: “Ide e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.1-5). O reino de Deus chegou com demonstração de poder. Jesus explica: “Se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o Reino de Deus” (Mt 12.28).

Para melhor compreensão, vejamos: “Elevando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça. E pelas suas feridas fostes sarados” (1 Pe 2.24). “Pelas suas pisaduras fomos sarados”, de Isaías 53.5, recebe aqui o seu significado maior e o seu cumprimento na morte expiatória. Não a cura automática das doenças, mas a remissão de nossos pecados, que se verificou no Calvário, e não antes, visto que Ele morreu por nossos pecados (1 Co 15.3; cf. Jo 1.29; 2 Co 5.21; 1 Pe 3.18). Pedro não está afirmando que o sofrimento e morte de Jesus nos tornaram imunes às doenças. Ele ressalta que “Cristo carregou os nossos pecados na cruz, tornando-se nosso substituto, quando tomou sobre Si a penalidade dos nossos pecados. O propósito de Sua morte vicária foi livrar-nos totalmente da culpa, poder e influência do pecado. Cristo, pela sua morte, removeu nossa culpa e o castigo dos nossos pecados e proveu um caminho, mediante o qual pudéssemos voltar a Deus, conforme a sua justiça (Rm 3.14-26) e receber a graça de vier em retidão diante dEle (Rm 6.2,3; 2 Co 5.15; Gl 2.20). Pedro usa a palavra “sarados” ao referir´se à salvação e todos os seus benefícios” (Bíblia de Estudo Pentecostal).

A cura de enfermidades continua na Igreja. Para isso, Deus distribui dons de curar, como já dito. A Igreja também pode proclamar o perdão dos pecados, desde que haja sincero arrependimento (Mc 2.7; Jo 20.23; At 2.38; 1 Jo 1.9).

À guisa de conclusão, destacamos:

1 - Não há uma cura automática de todos os enfermos que se convertem. Um paraplégico poderá ser curado na hora da conversão, ou permanecer enfermo pelo resto da vida. Nem por isto deixará de ser feliz e ter paz no coração, pois a alegria em Cristo independe das circunstâncias.

2 – As conseqüências da queda de Adão, pelo que herdamos um corpo corruptível e cheio de fraquezas, só serão desfeitas quando estivermos no céu, onde teremos um corpo incorruptível e imortal (1 Co 15.54). Na glória, “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4).

3 – Se acometido de alguma enfermidade, o crente deverá seguir as recomendações da Palavra de Deus, conforme Tiago 5.14-16: a) limpar sua vida de qualquer impureza; b) limpar o coração de qualquer sentimento de vingança ou ódio, e perdoar as ofensas; c) solicitar oração aos líderes da Igreja e aos irmãos; d) esperar no Senhor, confiante que Ele ouve as orações de seus filhos e agirá no tempo determinado, segundo a Sua vontade.

4 – O texto de Isaías 53.4-5, examinado o contexto, fala de cura espiritual (“transgressões”, “iniqüidades”) como resultado da morte vicária de Cristo, isto é, nossos pecados foram cancelados “por suas pisaduras”, no Calvário. Tal interpretação é evidenciada em 1 Pedro 2.24.

5 – A profecia de Isaías 53.4-5 concernente às enfermidades foi cumprida em Jesus durante seu ministério. Tal evidência está explicitada em Mateus 8.16-17.

6 – Assim como não precisamos decretar o perdão de nossos pecados, recebido pela fé, não precisamos decretar a cura de nossas enfermidades, que depende, como vimos, de nossa fé e da soberana vontade de Deus.

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